São Paulo se arrasta em suas próprias demandas psicológicas e emocionais

biofeedback

Acompanhei, hoje, a quarta derrota do São Paulo para o Corinthians, no Itaquerão. Tenho algumas considerações a fazer sobre o time – algo que venho reforçando há pelo menos 18 meses.

1. Falta competência competitiva ao grupo
Competência competitiva é representada por um conjunto de fatores psicológicos e emocionais que, somados aos técnicos e táticos, promovem uma equipe bem estruturada para os jogos e torneios – bem como o enfrentamento das pressões e expectativas externas. O São Paulo demonstra, de forma evidente, baixa competência em termos de competitividade e fragilidade emocional evidente nos momentos mais agudos das partidas.

2. Equipe ansiosa e desconcentrada
Toda equipe esportiva necessita de um certo nível de energia de ativação para iniciar e manter o bom rendimento. A ansiedade pode ser, dependendo de sua medida, uma aliada para o grupo se manter focado e em estado de prontidão.
Por outro lado, quando equipes demonstram níveis de ativação emocional e mental muito elevadas – como no caso do São Paulo – a tendência é a queda da concentração, foco, tomada de decisão e reação. O erro do Lucão, hoje, no primeiro gol do Corinthians é típico desse desvio de concentração por conta – entre outros – do 6 a 1 e da persistente dificuldade da equipe em encontrar um equilíbrio individual e coletivo.

3. Dênis visivelmente inseguro
Dificilmente o novo goleiro titular do time não solta uma bola – quando acionado. Dênis está nitidamente inseguro por representar o maior ídolo do clube nos últimos 20 anos. Esse, talvez, seja o preço que ele esteja pagando por ficar quase 7 anos no banco do Rogério. Além disso, a falta de um trabalho psicológico esportivo de forma atuante expõe ainda mais essas fragilidades.

4. Nervos à flor da pele
Ganso e Centurion, entre outros, são os que mais demonstram nervosismo dentro de campo. Os atletas, sempre advertidos pelo cartão amarelo, apresentam comportamento elevado de ansiedade e falta de foco. Ganso já poderia ter sido expulso em duas partidas do clube esse ano. Seu comportamento e declarações demonstram um nervosismo que só dificulta – ainda mais – que ele retome o bom futebol. Novamente, nada que não possa ser trabalhado e resolvido.

5. Torre de Babel no Morumbi
A coleção de estrangeiros (especialmente, de argentinos) dificulta ainda mais a interação com os jogadores locais. A falta de uma Unidade de equipe é flagrante. Além de desentrosados tecnicamente, os jogadores do São Paulo parecem – literalmente – falar idiomas distintos. Como formar uma equipe em alto rendimento com tantas diferenças sociais e culturais? Afinal, já passou da hora de falarmos de uma “Psicossociologia do Esporte” – as relações humanas são fundamentais na constituição de uma equipe vitoriosa.

6. A Psicologia do Esporte faz falta ao elenco
Imaginem vocês se houvesse um trabalho efetivo e contínuo com o grupo. O que fazer?
a-) Uma Sociometria – avaliação sociométrica para que se possa traçar os líderes em potencial eleitos pelo grupo e conhecer quais os atletas que, por ventura, estejam excluídos pela equipe.
b-) Observação de jogos e treinos – atividade fundamental do psicólogo do esporte para identificar e checar se os dados levantados em testes anteriores ocorrem na prática cotidiana do grupo e quais os caminhos para fortalecer as demandas centrais.
c-) Para diminuição da ansiedade e aumento da concentração – utilização de técnicas modernas como o Biofeedback e Neurofeedback – visando a ampliação do foco de atenção e manutenção da concentração por maior período de tempo.
d-) Trabalho multi e interdisciplinar – a associação entre o trabalho psicológico com o médico, técnico e nutricional gera resultados contundentes e inegáveis. Afinal, a mente e as emoções compõem o rendimento esportivo e, em alguns casos, até determinam a qualidade da performance dos atletas. Não raro, demandas físicas, por exemplo, encontram suas origens em causas emocionais. Se não há um trabalho psicológico no clube, como atuar e auxiliar os jogadores diante dessas necessidades?
e-) O São Paulo precisa – urgentemente –formar novamente uma equipe. Por hora, me parece um bando de atletas que mostram ausência de entrosamento e unidade de grupo. A equipe necessita de jogadores que sejam referência dentro e fora de campo. E eles existem – só que, muito possivelmente, não encontram espaço nem incentivo para expor o senso de liderança. Para isso, mais uma vez, o trabalho psicológico é de grande utilidade.

Não vou comentar sobre a roda das inteligências múltiplas, fundamental na concepção moderna de atleta e ação esportiva. No entanto deixo, abaixo, um modelo bastante elucidativo sobre o tema.

Enquanto a Psicologia do Esporte estiver encoberta pela poeira do preconceito e da desinformação, jogadores com corpos de aço em bases de barro continuarão desfilando suas fragilidades diante de torcedores, treinadores e dirigentes – que pouco ou nada fazem para mudar esse triste panorama da falta de valorização dos aspectos humanos no rendimento esportivo no futebol.