Neymar pode ser capitão da Seleção?

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As recentes atitudes de Neymar na Seleção Brasileira mostraram que ele não tem a menor condição emocional de ser capitão da equipe. Até porque, espera-se de um capitão, controle emocional e psicológico, responsabilidade coletiva, comportamento adequado, bom senso e comprometimento com o grupo. A decisão de abandonar o barco da Seleção e curtir o iate e suas férias no Guarujá só confirmam que o atleta, genial em termos de talento, ainda precisa amadurecer – e muito – para ter a 10 da Seleção e a faixa de capitão do time.

Ser capitão exige uma carga de responsabilidade que o atleta, até aqui, não conhece. Espera-se de um capitão, ações e atitudes diametralmente opostas àquelas que Neymar demonstrou com a faixa no braço. Talvez precise um pouco mais de humildade – baixar a bola, como se fala no “futebolês”. Abandonar o grupo dizendo que “não quer atrapalhar” me pareceu uma vitimização desnecessária do atleta.

Se ele não aguenta treinar com os companheiros, ajudando no dia a dia, mesmo sabendo que não irá jogar, mas compondo o grupo e auxiliando o treinador (como um “capitão”) aí, sim, , realmente ele tomou a atitude certa. Por outro lado, não vou achar estranho se o Dunga e a CBF mantiverem o atleta como capitão do time. Num país curto em termos de filosofia administrativa, escândalos políticos para todos os lados (inclusive e especialmente no esporte) e superficialidade na concepção de treinamento esportivo e do lado humano dos atletas , manter o Neymar como o principal “comandante” do grupo do Dunga me parece até provável. Me preocupa também o fato desse foco intenso em cima do jogador. Tudo gira em torno dele.

Se o Brasil perder, é porque o Neymar não jogou. Se a Seleção ganha, não precisa do Neymar. O futebol e o esporte como um todo mudaram e já faz tempo. A noção de grupo se sobrepõe ou, ao menos, deveria se sobrepor à questão da valorização individual. Por aqui, a cultura sempre demonstrou que várias seleções eram conhecidas como apenas um jogador: “a seleção do Romário” , “a seleção do Ronaldo” etc. E agora vivemos a tal “seleção do Neymar”. Nesse ponto (e em tantos outros), a NBA dá um verdadeiro show no futebol. O basquete americano sempre teve (e ainda conserva) grandes ícones ao longo dos tempos. Entretanto, são astros que compõem grandes e importantes constelações. Lebron James não ganhou o título para o Cleveland. Curry e uma equipe completa – bem treinada e entrosada – conquistaram o anel na NBA esse ano.

Essa é a concepção esportiva que se deseja no futebol. Colocar toda expectativa num só jogador é não considerar os aspectos humanos envolvidos na vida de um atleta. Todos eles podem se machucar (a Alemanha mesmo perdeu dois ou três atletas semana antes da Copa e nem por isso foi o fim do mundo para eles – vocês sabem), podem receber um cartão vermelho, uma punição maior ou menos – enfim, ficar fora de campo. E a partir daí? Teremos uma equipe como a de 98, quando Ronaldinho teve aquele surto na concentração e toda equipe ruiu na decisão do Mundial?

Ao Neymar, fica a reflexão sobre o papel correto de um líder, capitão e referência de um grupo. Ele precisa conhecer melhor o que é designado para performar esse papel com excelência e não falta de maturidade. Afinal, uma liderança coesa e participativa deve ser iniciada através do exemplo comportamental do líder. Essa, sim, é permanente e efetiva. Com esse comportamento, Neymar apenas se afasta do modelo correto e equilibrado que se espera de um capitão de time. A todos nós, cobrarmos a formação de um grupo mais forte que o elemento individual. Ainda que vá contra nossa cultura e história, uma hora precisamos nos atualizar.

E creio que já passou da hora…