Na Seleção, engenheiro é “psicólogo”

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Não sei nem por onde começar a descrever essa barbaridade que li hoje na Folha de São Paulo. Aliás, nesses últimos quase 25 anos que atuo na Psicologia do Esporte, perdi a conta dos absurdos que o futebol nesse país já promoveu. Agora, mais esse. O engenheiro que deu o aval para a saída do Neymar da concentração. É o fim da picada!

Só sei que o Brasil precisa – e merece – tomar (mais) uma sonora goleada para ver se acorda, embora eu tenho cá comigo que só ficando fora de uma Copa para alguma coisa mudar, de fato.

Bem que eu achei estranha a saída do capitão da equipe – que, a priori, nesse posto, teria responsabilidades para além das quatro linhas. Só mesmo a opinião de um engenheiro motivador para dar o aval para que o líder do grupo pudesse passar suas férias no Guarujá, distante do grupo que está na Copa América. Isso é um carnaval, mesmo. Aliás, 7 a 1 foi pouco.

Chamar um engenheiro motivacional para atuar no esporte é como convocar um físico ou um mecatrônico para fazer uma operação de estômago. Quem sabe um fisioterapeuta para construir uma casa ou até mesmo um padeiro para extrair um dente.

Assim caminha o combalido, retrógrado, perverso e ultrapassado futebol brasileiro, com seus “jeitinhos” para escapar da realidade e das demandas psicológicas, emocionais, culturais e sócio institucionais. É de dar pena. Isso parece piada pronta.

Falo sempre nos meus cursos que quem usa aspas no “psicólogo” tem muito mais espaço no meio esportivo do que aqueles que trabalham pelo reconhecimento e valorização da ciência. Embora, atuar numa instituição cujo último presidente está na cadeia por crimes contra o dinheiro público não me parece um bom sinal nem uma boa ideia.

Sobre o Dunga, sempre achei ele fraco – inclusive emocionalmente para liderar um grupo. Um ex-boleiro que assumiu a Seleção, sem o menor preparo e atualização das técnicas esportivas psicológicas de preparação.

Quando a gente acha que não pode piorar, sempre tem um “fato novo” que nos faz distanciar ainda mais de algo que já foi a alegria do povo e, hoje, virou motivo de chacota.

7 a 1 foi pouco!

Para quem quiser (e conseguir) acompanhar a matéria da Folha, segue o link:
http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/06/1646459-engenheiro-motivador-deu-aval-a-saida-de-neymar-da-concentracao.shtml