A aula de Maria Sharapova

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Há tempos não acompanhava uma vitória tão contundente como a da russa Maria Sharapova – em pouco mais de uma hora – nas quartas de final do Australian Open contra a canadense Eugenie Bouchard.

Costumo dizer aos tenistas que atendo que “o tênis é como um diálogo: ganha aquele que tiver mais argumentos”. No jogo de hoje, Sharapova fechou todas as portas e a canadense – que entrou visivelmente nervosa – nada conseguiu fazer para se defender dos ataques impiedosos da russa.

Quando a autoestima é somada à força, coragem e talento – acontece exatamente o que vimos nessa partida: uma tenista plena em termos de convicções e outra que não conseguiu resistir a pressão desde o primeiro ponto da partida.

Isso ficou muito evidente especialmente nos pontos em que a canadense sacou. Sharapova montou nas bolas de Bouchard – afunilando o território de ação da adversária.

A energia de ativação interna – regulada através da concentração, controle de ansiedade foco e atenção – foi crucial e decisiva nesse jogo. Enquanto Sharapova entrou na quadra no auge de sua confiança e consciência técnica do que deveria realizar para vencer Bouchard, a canadense iniciou a partida acuada e indecisa. Ou seja, virou presa fácil e perdeu por 6×3 – 6×2.

Conhecer o plano psicológico de ativação e autorregulação é fundamental para um desempenho fluente e consistente numa partida de tênis. Hoje, em Melbourne, vimos apenas um monólogo de Sharapova – contra uma Eugenie Bouchard distante daquela tenista que conhecemos e aprendemos a admirar. Enquanto as forças da russa aumentavam – a canadense sumia, assim como um fade out – até desaparecer por completo.

Uma aula de tênis de Sharapova – em todos os sentidos da preparação esportiva.