Destaque do mês
- Treinamento Mental - Nataly Exner - Blog MENTE CAMPEÃ
- Revista VEJA - Prof. João Cozac e José Carlos Brunoro falam sobre ética no esporte
- Neymar e Psicologia - Programa Fantástico - Rede Globo - análise do comportamento do atleta santista
- Prof. João Cozac comenta sobre as deficiências na liderança do técnico Felipão
- João Cozac no Programa da Jovem Pan com Wanderley Nogueira
- Phil Jackson: de Psicólogo na Carolina do Norte a treinador unodecacampeão (2010) da NBA
- Revista Isto É - "Futebol no divã" - participação do Prof. João Cozac
- XIV Congresso Brasileiro de Psicologia do Esporte
- Revista Psique - Entrevista na íntegra - Prof. Cozac
- Prof. João Cozac - Terra Esportes - "comportamento de meninos santistas"
| Por que Adriano voltou para o morro? Especial para Terra Esportes |
| Escrito por João Ricardo Cozac |
| Ter, 19 de Maio de 2009 |
|
Adriano recebe apoio de Romário para dar um tempoPor que Adriano volta para o morro? A ex-namorada de Adriano explicou as razões que levam o atacante a voltar à favela onde nasceu sempre que a vida aperta. "É lá que ele se sente uma pessoa normal. Lá, não tem essa de Imperador", disse Joana Machado em entrevista ao jornal O Dia. De acordo com psicólogos, porém, o determinante não é o ambiente humilde, e sim a convivência com antigos amigos. "Ele tem um envolvimento afetivo com pessoas que moram na favela. Se a ligação afetiva fosse com amigos do Morumbi ou de outro bairro rico, seria a mesma coisa", explica Suzy Fleury, psicóloga que trabalhou com a Seleção Brasileira. Segundo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, a necessidade de Adriano recorrer a seus amigos da favela se dá por causa da ascensão como uma estrela do futebol. "Quando uma pessoa muda de classe social e econômica de uma forma muito abrupta, pode desenvolver um distanciamento de sua identidade e de sua imagem, logo é importante retornar à origem. Ele quer o colo da mãe e dos amigos", analisa. O psicólogo também entende que o ambiente na Itália pode ter influenciado na decisão do atacante de se "internar" no Rio de Janeiro. "A mansão que ele tem em Milão não condiz com o que viveu na infância", aponta Cozac. "Quando há um conflito emocional, você recorre a uma estrutura que te dê mais suporte. Para o Adriano, isso é o morro. Tem muitos jogadores que convivem com amigos na favela e as pessoas não sabem." A psicóloga Suzy Fleury também sugere que contratempos pessoais devem ter sido a origem dos problemas do atacante. "Ele é um atleta de altíssimo nível que tem demonstrado nesses últimos dois anos muita instabilidade emocional. O Adriano mostra evidências claras de que algo extracampo aconteceu que o tirou desse caminho. Ele precisará trabalhar isso", aponta. Sâmia Hallage, psicóloga da Seleção Brasileira feminina de vôlei, concorda com a análise de Fleury. "A gente se comporta pelas coisas que vão acontecendo durante a nossa vida, é tudo um reflexo de experiências antigas", diz a especialista. "Quando a pessoa fica famosa, acaba sendo alvo de notícias que nem sempre são verdadeiras. Cabe muito ao atleta saber separar o que é verdade e o que não é." Mesmo com questões emocionais, um acompanhamento psicológico pode não ser a solução para os problemas de Adriano. É o que pensa Cozac, que afirma que sua origem humilde o afastaria de trabalhar as emoções em sessões de terapia porque o tratamento psicoanalítico não faz parte dos signos e símbolos que o formaram. "O Adriano poderia arrumar os problemas dele em uma psicoterapia. Mas qual seria a cultura que o levaria a fazer isso? Nenhuma. Ele conheceu a cervejinha com os amigos na favela. Isso dá suporte a ele, são essas coisas que ele tinha em suas raízes", comenta o psicólogo.
|
