A reação de Diego Souza
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 23 de Abril de 2009

O Palmeiras foi eliminado do Paulistão após duas derrotas consecutivas por 2 a 1 diante do Santos. O time da baixada, com todos os méritos, carimbou seu passaporte para a grande final do campeonato. Na partida de volta, disputada no Palestra Itália, jogadores, treinadores e árbitro roubaram a cena e deixaram o bom futebol em segundo plano. De quebra, Diego Souza perdeu a cabeça e deve receber um gancho prolongado para pensar um pouco em sua reação intempestiva e descontrolada.

 

Foi provocação?

Tudo pode ter acontecido naqueles segundos após a entrada do jogador Domingos, do Santos. Diego Souza afirma que foi provocado e que o técnico adversário teria desafiado o jogador do Palmeiras a bater em Domingos. Não importa. Nada justifica a reação de Diego Souza. No campo de jogo, ninguém é bobo e acreditem: xingamentos e agressões verbais fazem parte da convivência destes rapazes durante as partidas.

Após receber o cartão vermelho, Diego Souza partiu para a briga e ali, quase descendo ao vestiário, voltou correndo e agrediu o atleta do Santos numa das cenas mais lamentáveis de total desequilíbrio psicológico e emocional presenciadas no futebol nestes últimos anos.

Punição exemplar

Todos que tem o mínimo de respeito pelo futebol esperam uma punição forte para Diego Souza. O problema é que o futebol abre espaço para efeitos suspensivos, redução da pena, pagamento de cestas básicas e, quando nos damos conta, o atleta já retornou aos gramados. Afinal, isto aqui é Brasil, certo?

Luxemburgo e os testes psicológicos

O amigo pode se perguntar: após tantas apresentações pífias do Palmeiras em seu campo, não estaria na hora do treinador priorizar um trabalho psicológico sério e contínuo com os atletas? A resposta é sim. Porém, o treinador do Palmeiras é adepto apenas à aplicação de testes psicológicos. Palestras, trabalhos de orientação, dinâmicas de grupo, acompanhamento psicológico e tantas outras ferramentas da Psicologia Esportiva são sumariamente descartadas ou desvalorizadas pelo treinador. O mais incrível é que no seu Instituto existe uma cadeira com esta disciplina. Vai entender...

A energia de ativação de Diego Souza

Na véspera do jogo contra o Santos, Diego Souza afirmou que “o time do Palmeiras não precisa de paciência, mas sim de loucura”. De fato, o meia alviverde estava correto. Faltou calma para tocar a bola e antes de tudo, equilíbrio emocional a todos do elenco.

Por outro lado, esta energia de ativação do atleta deveria ser mais bem trabalhada (não pelo técnico) para que o atleta apresentasse um melhor rendimento dentro de campo e evitasse o vexame que protagonizou no final da partida quando, transtornado e totalmente desequilibrado, chutou placas de propaganda e agrediu o jogador adversário.

Há, de fato, atletas que necessitam de mais energia mental e emocional para um bom rendimento nos jogos. No entanto, esta energia precisa ser acompanhada por um profissional que reconheça e saiba atuar com tal demanda para que o restante do time não acabe pagando o pato. No caso, um verdadeiro mico.

A culpa é do juiz?

Claro que, no final, todos colocaram a culpa no árbitro da partida. De fato, não foi a melhor de suas apresentações. Sálvio tem grandes
dificuldades em comandar a parte disciplinar dos jogos. Retarda a apresentação de cartões e é pouco enérgico quando a situação pede uma intervenção mais contundente da arbitragem. Sua ida ao próximo Mundial pode até ficar comprometida caso ele não comece a mudar seu modelo de atuação.

Na partida do Palestra Itália não foi diferente. O problema é que os treinadores tem a expectativa que o árbitro entre em campo sabendo do histórico, comportamento, reações e passado recente de todos os atletas em jogo. Isso não é possível. Aliás, é sempre mais fácil desviar a atenção dos problemas internos para a arbitragem. Isso já faz parte da cultura do futebol.

Parabéns ao Mancini

Quando temos de criticar, é fácil. Na hora de elogiar, todo mundo sai correndo. Mancini chegou ao Santos meio desacreditado e conseguiu, em pouco tempo, colocar ordem na casa. O time santista tem, hoje, um padrão de jogo bem estruturado e o comando de um profissional sério e dedicado. Os resultados não deixam dúvidas.

Violência, violência e violência

Nós, da imprensa, sempre apontamos os vândalos das arquibancadas como os principais culpados pelo violência no futebol. Está na hora de repensarmos esta questão. A violência, ultimamente, tem brotado nos campos de jogo e se alastrado para fora dos estádios. Treinadores e jogadores são os grandes responsáveis pela eclosão de comportamentos violentos nas torcidas. Exemplos não faltam.

Questão para reflexão

Convido o amigo leitor a uma reflexão junto a este colunista: que comportamento esperar de uma torcida quando esta é provocada pelo jogador adversário após marcar um gol e mostrar os dedos médios como sinal de provocação e desrespeito? Ou, no caso de Diego Souza, ao sair de campo, ser aclamado por sua torcida como um verdadeiro herói que, diante de um estádio cheio de crianças, dá o pior exemplo possível de comportamento, cidadania e espírito esportivo?J

á é hora de pensar e agir!

Última atualização ( Qui, 23 de Abril de 2009 )