Após a derrota na final do Australian Open para Rafael Nadal, o suíço Roger Federer , no momento da cerimônia da entrega dos troféus, desabou em lágrimas após dizer: “Isto está me matando por dentro”. | |  |
Raiva, desapontamento, frustração e tristeza. O coração de Federer ficou pequeno diante de tantas emoções e as palavras deram lugar a um choro típico daqueles que se habituaram a vencer e, aos poucos, encaram a realidade de que os momentos passados de invencibilidade absoluta já não mais imperam em suas apresentações.
Mirka, esposa do suíço, parecia não acreditar no que via. O espaço mais íntimo das emoções de seu marido finalmente emergiu sob olhares atentos (e surpresos!) de milhões de pessoas em todo o mundo. E olha que ver um suíço chorar não é nada comum. Em rede mundial, menos ainda. A integração (quase que uma fusão) de Federer com a vitória foi novamente abalada pelo fabuloso Rafael Nadal.
Sim, amigos, Roger Federer também chora. E não é um choro infantil – daqueles em que a criança jura que a dor ou o sofrimento jamais passarão. Ele não deixou de ganhar um doce ou foi repreendido por quebrar a vidraça do vizinho. Não. Nada disso. Federer chorou porque é um campeão de verdade e não admite outro resultado além de vencer, sempre.
Neste primeiro Grand Slam do ano, o suíço conquistou definitivamente a admiração e o carinho de boa parte dos apreciadores deste esporte magnífico. Roger, até então, o iceberg das quadras, mostrou seu lado humano (e maduro) de gente grande que não tem medo de expressar, de forma aberta e verdadeira, a legitimidade emocional que poucos atletas ousam demonstrar. Até porque, venhamos e convenhamos: não é só no futebol que impera o machismo. Trabalho com muitos tenistas em minha clínica e freqüento torneios para acompanhar os atletas. É incrível como a dificuldade deste pessoal em expressar as emoções acaba jogando contra o desenvolvimento, amadurecimento e desempenho da garotada dentro e fora das quadras. O medo de serem julgados e reprovados costuma ser maior que o espaço de manifestação íntima de suas emoções.
Do outro lado, Rafael Nadal, com todos os méritos, ultrapassou Federer na reta deixando o suíço distante em seu retrovisor. O espanhol, hoje, é uma máquina de vencer torneios e grandes desafios. Sua mente, corpo, técnica e foco estão sendo treinados e aprimorados constantemente. Vai ser difícil alguém, num curto período, segurar Nadal neste imenso espaço que vem abrindo para Federer que ocupa o posto de segundo do mundo.
No jogo final, os dois deram verdadeiras lições de cavalheirismo, fair play e entrega total na busca pelo título. A reação do espanhol ao abraçar o suíço após a partida não é uma imagem que presenciamos com frequência (infelizmente).
Apenas um deles poderia ser o grande vencedor. A concentração e o equilíbrio psicológico e emocional de Nadal fizeram a diferença. Não há como negar. Palmas para estes dois guerreiros que honram, a cada encontro, a nobreza deste esporte!
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