Marcão e o doutor Luxemburgo
Escrito por João Ricardo Cozac   
Sex, 31 de Outubro de 2008
 

Após a derrota por 3 a 0 para o Fluminense, o goleiro Marcos veio a público dizer que “talvez um psicólogo possa explicar a derrota do Palmeiras naquela tarde”. A quantidade de mensagens eletrônicas por mim recebidas foi impressionante. Agradeço a todos os que se manifestaram e gostaria de, publicamente, responder.

Antes de mais nada, já aviso aos ‘fiscais de plantão’ que o Palmeiras tem, sim, um ótimo time e lutará pela vaga na Libertadores e também pelo título nacional. A questão abaixo descrita não diz respeito ao desempenho técnico do time.


Marcos é o cara, sim senhor!

Tive o prazer (e a honra) de trabalhar com o Marcos no Palmeiras em 2005. Realmente, além de um brilhante profissional, o camisa 1 dá um show de humildade, inteligência e garra. Uma verdadeira raridade no mundo da ignorância que habita as quatro linhas mais famosas do país. Muita gente por aí deveria se mirar no exemplo dele.

A polêmica lançada

Infelizmente, no entanto, Marcão mexeu num vespeiro. Aquele em que as abelhas picam todo mundo e ninguém consegue explicar de onde elas surgem. Assim ficaram os atletas do Palmeiras tentando explicar as declarações do goleiro. Parecia que o Marcos estava falando em um outro idioma. E, de fato, estava mesmo!

Roque Junior e Diego Souza: lugar comum

“Precisamos pensar no que ocorreu, alguns erros que aconteceram para que a gente fique ligado nos jogos. Só assim seremos campeões. Independente se jogar bem ou mal, precisamos ficar concentrados. Mas não acho que tenha necessidade de um psicólogo”. Assim saiu-se Roque Junior diante das declarações de Marcos.

Já, Diego Souza, se limitou a dizer que: “ roupa suja se lava em casa e que não seria ético uma pessoa de fora para tentar ajudar. Os problemas são internos e assim devem ser resolvidos”.

Diego Souza, me diga: o que é ser ético? Talvez você, de fato, não conheça realmente o que significa e como é realizado um trabalho psicológico no esporte.

Infelizmente, mais uma vez, a mente e as emoções foram banalizadas no mundo da bola. O trabalho do psicólogo do esporte é cada vez mais vulgarizado por conta de opiniões e posicionamentos com os de Roque Junior, Diego Souza e boa parte dos boleiros do Brasil.

Qual o seu problema, Luxa?

Luxemburgo deu uma sonora bronca no goleiro. Imaginem, só, como o capitão do time dele vai a público e diz que o time precisa de um psicólogo? Isso é quase uma heresia, não é Luxa? Afinal, seu poder pode ficar comprometido diante dos jogadores, certo? Marcos, infelizmente, se desculpou com o treinador, assumiu “seu erro” e o assunto parece ter sido resolvido numa sessão terapêutica de uma hora e meia com o Doutor Luxemburgo. Não quero nem imaginar o que se passou lá dentro.

O amigo leitor agora entende quando digo que muitos treinadores têm receio de perder o poder e as rédeas do grupo?

IWL e a Psicologia do Esporte

O que mais achei estranho nisso tudo é que o Luxemburgo administra seu Instituto e uma das disciplinas lá lecionadas é justamente a Psicologia do Esporte. Será, então, que é tudo jogo de cena? Confesso que não entendo mais nada. Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço? Que coisa! E na época do Real Madri? E o período em que ele trabalhou com psicólogos do esporte? O que teria mudado de lá para cá? O avanço da ciência ou a dificuldade em delegar poder e aceitar suas limitações pessoais? Vale a reflexão.
Última atualização ( Sex, 31 de Outubro de 2008 )