Ora raios, Psicologia na Lusa!
Escrito por João Ricardo Cozac   
Ter, 07 de Outubro de 2008

 O amigo Manuel, da padoca aqui na esquina do consultório, me recebeu aos brados para o cafezinho da tarde: “João Ricardo, és tu? és tu, gajo?”. A princípio não entendi a empolgação do amigo lusitano. Depois, com mais calma, Manuel me explicou que a querida Lusa iniciaria um trabalho psicológico para sair da situação incômoda na tabela. Fui logo ler a matéria no jornal e, não demorou muito, percebi que a tal Psicologia Esportiva foi mais uma vez banalizada pelos meios de comunicação e treinadores.


O psicólogo Estevam Soares
O treinador da Portuguesa está preocupado com a moral de seus jogadores após a derrota sofrida para o Vitória da Bahia. Dizia a matéria que “travestido de psicólogo, Estevam Soares se mostrou confiante”.

Proferiu o discípulo de Freud: "foi uma conversa muito proveitosa.
Passei para eles que não adianta ficar remoendo o resultado. Isso não vai ajudar. O negócio é trabalhar forte e com alegria para trilharmos o caminho certo e buscar os pontos no Brasileiro". Profundo, Estevam.
Bastante profundo.

Psicologia pouca é bobagem
Não é de hoje que treinadores se apossaram do termo para explicar aquilo que a parte técnica não é capaz de descrever, ou, quem sabe, como desculpa para o futebol de baixa qualidade apresentado pelos atletas.

Psicologia serve para tudo. Ela explica derrotas, vitórias, choros, sorrisos, lágrimas, gols perdidos e até bola na trave!

Calma Manuel!
O amigo padeiro já percebeu que a lusinha padece de alma e espírito
vitorioso. Seria estranho, Manuel, se os diretores convocassem um
psicólogo do esporte para treinar a equipe, não acha? Então, perguntou o
nobre amigo: “por que convocar um técnico para fazer o trabalho
psicológico?”. Achei prudente me calar.

O exemplo vem de casa
Acreditem: até onde me consta, o treinador da Lusa é casado com uma
psicóloga e esta não é a primeira vez que o comandante se travesti de
psicólogo. Ainda é tempo de fazer uma faculdade, Estevam!

Falta seriedade e responsabilidade
Brincadeiras à parte, amigos, é incrível como falta conhecimento,
responsabilidade e administração aos clubes brasileiros. Os nossos
treinadores são pessimamente formados (e mal informados). A maioria é
acobertada pelo folclore futebolístico que, nos últimos anos (ou desde
sempre) tem sido o artilheiro do intelecto técnico e administrativo do
combalido mundo da bola no Brasil.
Última atualização ( Qua, 08 de Outubro de 2008 )