Pai de Santo no Santos
Escrito por João Ricardo Cozac   
Sex, 19 de Setembro de 2008
 São Paulo (SP) - Derrotas, péssimas atuações e um time quebrado. Este era o Santos antes da partida diante do Cruzeiro na Vila. Em seguida, vitórias e mais vitórias revelaram o segredo do êxito santista: um Pai de Santo. Segundo disse Ogum ao Jornal da Tarde, o acordo com o Santos teria sido fechado antes do duelo contra o time mineiro, na Vila Belmiro, em jogo válido pela 21ª rodada do returno. A assessoria de comunicação do Santos nega tal contato entre o guru espiritual e o clube.


Folclore no futebol

Acho delicioso ver como o futebol é folclórico. O time santista reagiu através do trabalho de um Pai de Santo. Ao menos é o que pensa e aposta boa parte dos dirigentes do clube. O mesmo Pai ajudou o acesso da Lusa para a primeira divisão e apoiou Luxemburgo em vários momentos de sua carreira. Caro Pai: o senhor não pode tirar o Dunga da seleção também?

Tenho outros pedidos que, certamente, representam a voz de muita gente.

Santos das glórias

O time do Santos é grande demais para este tipo de manchete. É certo que os últimos tempos foram indigestos para a equipe da baixada. Leão, Luxemburgo, Cuca e agora Marcio Fernandes formam o grupo de técnicos que busca a redenção santista. Aliás, o que pensará o atual treinador sobre a reação do time que ainda beira a zona do rebaixamento? Os méritos são dele ou do Pai de Santo? As chegadas de Nenê e Serginho animaram o pessoal. Os créditos de toda a superação, pelo que andei lendo por aí, estão todos nas mãos do esotérico profissional.

Psicologia Esportiva: o que é isso?
Amigos, este negócio de Psicologia Esportiva não está com nada.

Acreditem. Para que criar um clima saudável e concreto através de dinâmicas de grupo, palestras e trabalhos pontuais de orientação psicológica? Aplicar testes, levantar perfil, trabalhar junto à Comissão Técnica é coisa para maluco. A onda, agora, é fazer soar os sinos da fé e, claro, rezar pela rápida chegada dos resultados. O resto é conversa para boi dormir.

Marcio Fernandes e uma nova química

A efetivação do Marcio Fernandes no comando do time principal e as presenças do Chulapa e Nenê certamente contribuiram para a melhora no clima interno do grupo. O treinador tem conseguido dar um novo ritmo de jogo aos atletas, além de promover um ambiente de maior segurança no elenco. Especialmente nos casos de Rodrigo Souto e Fabiano Eller que têm demonstrado muita raça e dedicação. Imaginem toda esta mudança associada a uma intervenção psicológica e motivacional?

Fé não se discute

Não entrarei no mérito da questão. Respeito todos as religiões. A fé do ser humano é individual e única. Os caminhos, métodos, leituras e ideologias dizem respeito apenas a quem escolhe determinada forma de se conectar com o plano superior. É certo que temos os planos físico, mental e espiritual. Todos eles são igualmente importantes.

Só que, amigos, não posso acreditar que o plano superior seja o único e grande responsável pelas boas jogadas do time e também pela inspiração para o Kleber Pereira marcar tantos gols. Até porque, este plano (até onde eu o compreendo), ainda não aprendeu a cruzar, cobrar lateral e escanteio, cabecear e defender. Será que não há outras forças interagindo neste início de reação santista?

Se fosse simples assim...

Os técnicos e preparadores físicos perderiam importância e o nosso futebol seria composto apenas por Pais de Santo e jogadores devotos.

Nada mais. Pior: Bahia e Vitória seriam imbatíveis e já hexacampeões mundiais interclubes.

A ciência ainda não tem espaço no futebol

Sim, amigos. A ciência carece e aguarda por uma renovação estrutural no comando dos clubes de futebol por este país. Não só pela necessidade de se trabalhar os aspectos psicológicos e emocionais, mas também os fatores relacionados com a biomecânica, biomedicina, Nutrição e tantas outras áreas que axuliam no rendimento individual e coletivo dos times.

Enquanto soam os atabaques e lindos cantos, cientistas trabalham incessantemente para o avanço da preparação esportiva em todo o mundo.

Afinal, venhamos e convenhamos: ciência e religião, de fato, nunca foram muito amigas, mas bem que poderiam, às vezes, ter um bom bate-papo.
Última atualização ( Seg, 22 de Setembro de 2008 )