Destaque do mês
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- Revista VEJA - Prof. João Cozac e José Carlos Brunoro falam sobre ética no esporte
- Neymar e Psicologia - Programa Fantástico - Rede Globo - análise do comportamento do atleta santista
- Prof. João Cozac comenta sobre as deficiências na liderança do técnico Felipão
- João Cozac no Programa da Jovem Pan com Wanderley Nogueira
- Phil Jackson: de Psicólogo na Carolina do Norte a treinador unodecacampeão (2010) da NBA
- Revista Isto É - "Futebol no divã" - participação do Prof. João Cozac
- XIV Congresso Brasileiro de Psicologia do Esporte
- Revista Psique - Entrevista na íntegra - Prof. Cozac
- Prof. João Cozac - Terra Esportes - "comportamento de meninos santistas"
| Futebol: quem te viu, quem te vê |
| Escrito por João Ricardo Cozac | |||
| Seg, 21 de Julho de 2008 | |||
Vimos Basílio por um ponto final ao jejum de títulos, promovendo uma das maiores festas da nação corintiana. Acompanhamos o Palmeiras de Jorge Mendonça, César Maluco e Leão. Presenciamos a angústia da espera de títulos e a chegada do futebol-empresa. A Parmalat inaugurou, no Palestra, o ciclo das grandes potências futebolísticas. O Palmeiras saiu da fila dando espetáculo. Mestre Telê Santana, com sua mística camisa laranja era ovacionado pela torcida tricolor. A democracia corintiana, irreverente e vitoriosa, mostrou ao mundo que os jogadores têm valores humanos que devem ser respeitados. Vimos Geovani implodir o Fluminense numa das tarefas mais impossíveis do esquadrão santista. Posteriormente, o mesmo Santos foi assaltado diante do Botafogo. As imagens e os tira-teimas existem para comprovar. Vimos o Morumbi unido para torcer pela querida Lusa naquela decisão do Brasileirão contra o Grêmio. E os inúmeros gols marcados pelo Roberto Dinamite contra o Corinthians no Maracanã? A cobrança de falta perfeita do Zico contra o Santa Cruz . Aquela bola acariciou o ar até abraçar as redes do time pernambucano. Juntos, nos emocionamos com aquela Seleção de 82, com Sócrates, Falcão, Zico, Leandro, Éder, Junior e tantos outros craques. Choramos com os gols de Paolo Rossi na Copa da Espanha e com a goleada da Argentina diante do Peru na Copa de 78, num dos maiores fiascos da história do futebol. Os jogadores eram exemplos de talento e conduta. As camisas dos clubes abrigavam apenas o escudo solitário dos times. Lembro do XV de Jaú. Vi a Ferroviária de Araraquara jogando como time grande. Estive no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, acompanhando, estático, um 'Come-Fogo' de arrepiar. E o Novorizontino? Puxa, que saudades! Meus pais deixavam que eu fosse ao campo com meu irmão. Eles nos buscavam ao final das partidas. Não vi bombas, tiros nem corre-corre de torcidas. O futebol, amigos, era uma tormenta de encantos. Quem te vê Passados mais de 35 anos, a realidade é bem diferente. Hoje em dia, as manchetes dos programas de futebol mais se assemelham com anúncios fúnebres ou páginas policiais (o caderno de Economia também já cede sua páginas às milionárias transações). Já perdi a conta das mortes de torcedores nos arredores das praças esportivas. A camisa dos clubes parece fantasia de carnaval. E, mesmo assim, os times estão quebrados financeiramente. O nível técnico dos times caiu vertiginosamente. Confesso que tem sido tarefa árdua acompanhar uma partida de futebol sem bocejar pelo menos dez vezes. Certamente, poucos pais permitem que seus filhos vão aos estádios de futebol sozinhos. Aliás, nem acompanhados tem sido recomendável. O futebol está morrendo em cena aberta. Pede socorro a cada nova rodada. Os grandes clubes, há tempos, lutam para não cair. Psicólogos são tratados como gado no mundo da bola. Outro dia fiquei sabendo de um colega que foi chamado para um trabalho voluntário num grande clube. Ao questionar o nobre dirigente sobre a voluntariedade de seu trabalho, recebeu a seguinte resposta: 'Psicólogo no futebol é como São Tomé: é ver para crer'. O futebol está nas mãos de pessoas despreparadas. Virou terra de ninguém. Jogador beija escudo do Grêmio e, pouco tempo depois, faz juras de amor ao Inter. O mesmo acontece entre Flamengo e Fluminense, São Paulo e Corinthians, Atlético e Cruzeiro e tantos outros rivais. Os ídolos do presente não servem mais de exemplo para a garotada. Os holofotes estão se apagando. No tique-taque do tempo, a força de uma paixão perde o sentido e a verdade de outrora. Sinais dos tempos? Não sei. Melhor, talvez, seja jogar vídeo game. Lá ninguém morre e sai cada golaço! |
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| Última atualização ( Qua, 10 de Setembro de 2008 ) |

