Cabeça e emoção derrubam Santos
Escrito por João Ricardo Cozac   
Sex, 25 de Julho de 2008
 São Paulo (SP) - O Santos vive hoje, talvez, um de seus piores momentos da história.

Ocupando a rabeira na tabela e ainda sem engrenar no ano de 2008, a equipe santista apresenta sinais evidentes de altíssima ansiedade, queda do fator motivacional e perda da concentração durante as partidas.

Basta o amigo leitor lembrar as inúmeras oportunidades de gol perdidas nos últimos jogos com os atacantes na frente do goleiro adversário e o chute saindo de forma desgovernada.

A comissão técnica presente é extremamente competente. No entanto, peca em não priorizar estas demandas psicológicas e emocionais através do embasamento científico e do uso de ferramentas que a própria ciência já oferece.

Prova disso foi a contratação do Oscar para dar uma palestra no dia da goleada sofrida para o Palmeiras. Nada contra o nosso querido 'Mão Santa'. Aliás, pelo contrário: Oscar é sinônimo de garra, doação e sucesso.

No entanto, um trabalho psicológico não pode ser resumido a uma simples palestra proferida por um grande astro do esporte brasileiro. É subjugar demasiadamente a capacidade de discernimento e compreensão dos atletas.

Pior: depois da palestra, muita gente começou a encontrar os benefícios do evento. Alguns disseram que a equipe correu mais. Já, outros, afirmaram que os atletas deram o sangue. Correto, eu concordo, mas e a vitória? Por onde anda? Os jogadores continuam bambeando em frente às traves adversárias. A falta de um suporte psicológico profissional tem sido o principal inimigo do escrete santista.

Amigos, a equação matemática é simples e lógica: quando um time corre pouco dentro de campo, o preparador físico revê sua metodologia de trabalho e busca uma melhor adequação às necessidades físicas dos jogadores.

Quando a tática não condiz com aquilo que os atletas podem render, muda-se o técnico ou a estratégia de jogo.

Na hora em que os nervos são os vilões do rendimento de uma equipe, o medo e preconceito na aposta de um trabalho psicológico acabam sendo (de fato) os grandes e principais impedimentos para a reação do grupo.

Afirmo e reafirmo, antes que os fiscais virtuais de plantão se antecipem: psicólogo não ganha jogo, mas a falta de um trabalho sério, ético e científico pode rebaixar uma equipe sem dó nem piedade. Exemplos têm aos montes, certo?

Esta não foi a primeira vez que Cuca apostou em uma ação isolada (e pouco recomendável). Em sua passagem pelo Botafogo, convocou um padre botafoguense (sim, ele usava a camisa do Botafogo embaixo da batina) para uma palestra motivacional. Dali por diante (que Deus me perdoe), o Botafogo só despencou, perdendo vários títulos e sendo eliminado da sul-americana em uma apresentação vexatória diante do River Plate na Argentina.

Independente do resultado do jogo diante do Vasco e da continuidade do torneio(vale lembrar que o futebol é dinâmico), a equipe do Santos carece de alma, força de reação e criação de um ambiente positivo e motivador.

Para os matemáticos de plantão, recomendo que pesquisem a situação, neste exato momento da tabela, dos clubes rebaixados nos últimos anos.

Algo de muito errado ocorre na Vila mais famosa.

O mais triste é constatar que países até menos desenvolvidos já incluíram o trabalho psicológico em suas delegações. Convido o amigo leitor a observar este fato nos próximos jogos olímpicos.

A banalização da mente e das emoções costuma ser cruel. Por sorte, muitos psicólogos do esporte e instituições desta natureza estão surgindo no país. Caberá, no final das contas, a modernização e renovação na mentalidade dos próximos treinadores e dirigentes esportivos. Quanto tempo isso levará? Qual o preço desta conta? Melhor nem pensar.
Última atualização ( Qua, 10 de Setembro de 2008 )