Ilusões olímpicas
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 28 de Agosto de 2008

São Paulo (SP) - Jornal alemão Der Spiegel publica

 Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Pequim deste ano queriam que acreditássemos que o evento era puramente esportivo. Em vez disso, os especialistas estavam certos. Tratava-se de política, dinheiro e fraude.
No lado de fora, na cidade de Pequim e por toda a China, as vidas das pessoas comuns prosseguiam. Certamente ocorreram várias mudanças nestas vidas, mas elas ainda eram vividas sob o olhar vigilante do governo. Nesta China, aqueles que discordam do governo são simplesmente removidos, realizar um protesto continua sendo uma ofensa criminal, comemorações públicas são desaprovadas e todas as ruas faziam grandes desvios ao redor das zonas restritas, protegidas por soldados - zonas que incluíam a Praça Tiananmen em Pequim.

Rede Globo perde interesse
Com os direitos de transmissão dos próximos jogos olímpicos comprados pela TV Record, já estão comentando que a Globo perdeu o interesse por esportes como a ginástica e o atletismo. Possivelmente outras modalidades também não terão mais a atenção e o incentivo (se é que algum dia tiveram) desta que é uma das maiores formadoras de opinião do país. Simplesmente lamentável. Depois o brasileiro não entende as razões pelas quais nosso esporte não se desenvolve e fica na dependência de verdadeiros heróis e heroínas para conquistar algumas poucas medalhas.

Uma equipe de psicólogos para Nuzman
O grande mandatário do Comitê Olímpico Brasileiro agora solicita uma equipe de psicólogos trabalhando para o próximo ciclo. Estranho: Nuzman não permitiu que psicólogos de várias modalidades esportivas acompanhassem a delegação nem ficassem hospedados na Vila Olímpica. A Sâmia, psicóloga do esporte que acompanhou as meninas do vôlei, teve de operar um verdadeiro milagre para estar lá com elas. Após o fiasco em Pequim, Nuzman quer formar um time de profissionais já visando o evento que será disputado em Londres daqui a quatro anos. Confesso que eu só acredito vendo. Por aqui, promessas, em geral, desaparecem com um leve sopro de vento.

Mais uma promessa?
Ninguém mais tem cara de pedir apoio ao futebol feminino do Brasil. Depois de cada Mundial ou Olimpíadas é a mesma ladainha: precisamos criar uma liga nacional forte; as meninas terão todo o apoio; vamos fiscalizar a partir de agora. Se alguma coisa muda? Boa pergunta. Eu, pelo menos, não vejo nada de diferente. Aliás, a situação só piora.

Por que choramos?
Fato comum em Pequim, atletas brasileiros debulhados em lágrimas após a conquista de uma medalha viraram imagem e notícia em todo o planeta. Os gringos até acham bacana a sensibilidade extremada do povo brasileiro.
No entanto, amigos, nosso choro significa a possibilidade da superação, da vitória e possibilidade de nos concebermos dentro de uma imagem menos inferiorizada diante do mundo e com uma auto-estima mais digna. Afinal, já está na hora de abandonarmos a tal “síndrome de vira-lata” sugerida pelo saudoso dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues.
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Última atualização ( Qua, 10 de Setembro de 2008 )