Psicologia de tudo e de todos
Escrito por João Ricardo Cozac   
Ter, 22 de Novembro de 2011

            

Reta final do Brasileirão e algumas considerações necessárias:

1. Caio Jr. chegou no Botafogo a peso de ouro. Levou consigo o consultor de performance Evandro Mota ( o mesmo que estava com a Seleção em 98 quando o Ronaldo Fenômeno teve a convulsão antes da final contra a França e nenhum psicólogo acompanhou a equipe). Quando começou a despencar na tabela, Caio Jr apareceu em público com a psicóloga do esporte Maíra Ruas. Não é estranho – apesar de comum – a psicóloga do clube aparecer no final do torneio, num momento de extrema dificuldade em que o emprego do treinador estava em risco absoluto – uma vez que ela trabalha no clube há tantos anos? E por onde anda o engenheiro que desapareceu quando o calo apertou no alvinegro carioca? É aquela coisa de sempre: começo de leão – saída de cão!

2. Luxemburgo chegou no Flamengo com pose de campeão. Mandou demitir vários funcionários do clube. Entre eles, o brilhante psicólogo do esporte Paulo Ribeiro que há 22 anos prestava trabalhos importantíssimos ao time. Preferiu optar pelo trabalho do Pai Robério de Ogun que – ao ser indagado 8 semanas atrás sobre qual time seria o campeão- o Pai de Santo respondeu com total e completa convicção: “Flamengo”! . Muito bem, o Flamengo – além de não ter mais chances matemáticas de título – agora briga por uma vaga na Libertadores – embora com poucas chances. A entidade demitiu um psicólogo do esporte e o treinador atua com um Pai de Santo. E agora? o Pai de Santo vai ser demitido? Já até vejo as manchetes dos jornais:  “Diário de Ogun”: Pai Robério é demitido por Justa Causa. Diário de Iemanjá “Punido, pai Robério será julgado pelo STJA (Superior tribunal da justiça do ALEM).

3. Já perdi a conta de quantos treinadores viraram “psicólogos” durante o torneio. Renato Gaúcho pediu o afastamento do psicólogo do esporte Gilberto Gaertner do Atlético Paranaense. Renato afirmou que “ele seria o psicólogo do time”. Amigo, isso é exercício ilegal da profissão.  Renato saiu de fininho e deixou a bomba pro Antonio Lopes segurar. Hoje ouvi de um comentarista na televisão dizendo que o trabalho do treinador Jorginho, do Figueirense, durante a semana que se inicia será muito mais psicológico que técnico ou tático.

A palavra “Psicologia” virou senso comum – arroz de festa – presunto de misto quente. Está na boca do povo e dos sapos por aí. Viva as patas dos macacos enterrados pelos campos de treinamento. Viva o reforçamento da melancolia e atração pela derrota de tantos grandes clubes deste país. A ignorância tem sido a principal estrela no escudo mental destes dirigentes!

Muito triste!
Última atualização ( Ter, 22 de Novembro de 2011 )