Psicologia ou Psiquiatria do Esporte?
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qua, 06 de Julho de 2011

           

Nos últimos anos tornou-se bastante comum a presença de psiquiatras nos clubes de futebol. Profissionais formados em Medicina com foco no trabalho da mente e das emoções e conhecidos por atuar em casos de patologias graves e administração de remédios.

O  que mais chama a atenção neste caso é que o próprio futebol é refém de um preconceito gigantesco quando as questões mentais e emocionais demandam cuidados especiais. A própria Psicologia Esportiva sofre e já sofreu por conta deste preconceito que poucos fazem questão de esconder.

Em vez de atuar com psicólogos do esporte, as agremiações optam pelos médicos da alma. Boa parte deles, sem o menor conhecimento da dinâmica da mente do atleta. A diferença básica, aqui, é a concepção de ser humano. A psiquiatria (especialmente a clássica) concebe o homem como uma fusão de reações químicas neurológicas que resultam em comportamentos mais ou menos aceitos socialmente. Depende, claro, da época em que está inserida.

Já a Psicologia tem a atenção e campos de estudos voltados diretamente para o comportamento e  realidade em que ele ocorre. A falta de esclarecimento e discernimento com que a Psicologia Esportiva é compreendida chega a ser assustadora. As palestras isoladas continuam imperando neste mercado que insiste em banalizar as questões do ser humano.

A Psiquiatria tem um foco específico de trabalho – e é extremamente importante neste setor. A Psicologia do Esporte – em sua vertente séria e científica – atende diretamente às necessidades dos atletas e das equipes. Por hora, como que por uma hipnose antiga – os médicos e seus aventais brancos escapam dos corredores clínicos e hospitalares e vestem as chuteiras das emoções vaga ou superficialmente atendidas.

Afinal, uma palestra ou um comprimido contra a depressão parecem jogar no mesmo lado.

Última atualização ( Qua, 06 de Julho de 2011 )