Espanha campeã, Copa 2014 e paixão pelos clubes
Escrito por João Ricardo Cozac   
Seg, 12 de Julho de 2010

 

Amigos, felizmente a Espanha venceu a Copa. O bom futebol agradece e, com prazer, oferece a taça de campeã do mundo para a equipe que apresentou um estilo envolvente, alegre, vistoso, agradável e plasticamente atraente de se jogar (e assistir). A Holanda – no estilo meio brucutu – conseguiu eliminar o Brasil (não menos brucutu) e a forte seleção uruguaia. No entanto, o futebol da laranja não tem mais aquele brilho do passado. Ficou óbvio, violento e chato. Com isso, parabenizo todos os espanhóis que, finalmente e com todas as honras, conquistaram o mundo da bola pelos próximos quatros anos e, de quebra, deram o rótulo de “amarelões” para a laranjas mecânica que já deixou o título escapar em três ocasiões: 1974, 1978 e 2010.

Rotina e apego afetivo

Bastou terminar a Copa para todo mundo se agarrar nas camisas de seus times. Nunca vi tanto corintiano, são-paulino, santista e palmeirense num mesmo dia nas ruas de São Paulo. O povo abandonou o uniforme da Seleção e, tão cedo, não quer nem ouvir falar no assunto. Não é para menos. As recordações dos dois últimos Mundiais são tétricas e merecem ser esquecidas. O amor e afeto – neste caso – é naturalmente canalizado para o clube do coração. Afinal, o torcedor se sente muito mais participante nesta casa particular – habituado a visitar e ser bem recebido. É hora de abraçar a bandeira do time e reencontrar o amor maltratado e desconsiderado em nossa Seleção. Lamento, apenas, que o povo está começando a se acostumar (ou não valorizar tanto) as derrotas de nossa equipe nacional. Uma onda de descrença e falta de crédito assolou boa parte dos torcedores por aqui.

O difícil é escutar o Felipe Melo animado para a Copa de 2014 e dizer que - como jogador, sabe muito bem como quebrar um adversário e, ainda, que sua expulsão foi exagerada, já que não houve, assim, tanta violência”. O negócio, amigos, é correr para o time do coração mesmo. Estão todos mais que corretos!

Copa 2014 – e agora?

Eleições à vista, Copa, Olimpíadas, dinheiro público, agentes privados e muitos interesses. Para se ter uma idéia, a FIFA lucrou 3,.2 bilhões de dólares com a última Copa e o país anfitrião teve seu PIB aumentado em 0,2 %. Passando a régua, qual teria sido a dívida do país para esta elevação do PIB? Confesso que política e economia não são meus assuntos favoritos – mas, através de tanta bagunça e caos que, bem possivelmente ocorrerão nesta tentativa de organização para as reformas dos estádios e infra-estrutura, não leio (nem escuto) os representantes preocupados com situações de violência urbana e confrontos de torcidas organizadas. O que dizer do emocional dos nossos atletas? Um país inteiro debruçado no cangote dos atletas dentro de campo e a fragilidade psicológica pesando na chuteira de nossos atletas formam uma mistura explosiva e perigosa.

Voltando às arquibancadas, vale ressaltar que, na Copa do Mundo, não há separação de torcidas. Vocês já imaginaram uma possível final entre Brasil e Argentina sentado ao lado de um grupo de hermanos? E se nossa seleção repetir a atuação das duas últimas Copas? Como será a reação do povo? Pior (pasmem!): e se nossa Seleção for campeã? Como ficarão as ruas de São Paulo, avenida Paulista e arredores?

Estou certo que a educação e comportamento de muitos boleiros deveriam ser temas mais recorrentes nas reuniões para se acertar os milhões de dólares para a reforma dos estádios. Alguém, por acaso, está preocupado em investir na educação do nosso povo para receber um evento desta magnitude?





Última atualização ( Seg, 12 de Julho de 2010 )