Corpos de aço em bases de barro
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 01 de Julho de 2010

 

Amigos, o futebol moderno tem apresentado máximas inegáveis. Entre elas, a importância extrema do preparo físico na otimização da técnica e tática dos times e seleções. Por outro lado, a preparação psicológica tem sido sumariamente ignorada ou pouco valorizada pelos treinadores, jogadores e dirigentes. Alguns exemplos recentes tornam esta reflexão ainda mais necessária.

Cristiano Ronaldo: plumas, penas e nada de bola

Sim. O astro lusitano apenas desfilou penteados e sobrancelhas bem alinhadas. Nada mais. Portugal foi eliminado sem, ao menos, apresentar um futebol a altura de seus craques e dos últimos resultados no continente europeu. Ao final da partida contra a Espanha, Cristiano Ronaldo cuspiu diante das lentes de todo planeta e saiu com cara de bad boy. A FIFA prometeu punição ao gajo. Será que ele está preocupado com isso? A vaidade de um dos jogadores mais badalados do mundo tirou sua concentração durante as partidas. Afinal, com um telão daqueles – o pobre coitado não conseguia focar a atenção no jogo. Apenas pensava em arrumar o calção e fazer poses e bocas. Cego pela própria beleza – pobre Narciso lusitano.

Jogadores da Inglaterra fazem a festa após eliminação

É isso mesmo! Hoje recebi a foto dos atletas ingleses fumando e bebendo após a goleada sofrida para os alemães. Qual é o nível de comprometimento destes rapazes num torneio de tamanha grandeza? Nenhum! Como diz o hino deles: “Deus salve a Rainha” – porque os reis já foram para a esbórnia! Aliás, amigos, a seleção inglesa só não estava mais rachada porque não era possível. Uma panelinha com atletas do Liverpool, outra do Chelsea e, por fim, uma do Manchester.

Quem tem, tudo pode (?)

Hoje fui convidado para participar de algumas matérias sobre o caso do goleiro Bruno, do Flamengo, que, ainda sem uma definição, já causa imensa repercussão na imprensa. Confesso que tenho acompanhado com certa apreensão mais esta situação triste que um jogador de futebol está associado. O tema recorrente nestas entrevistas tem sido a busca de algumas respostas sobre as razões que levam tantos atletas a se envolver em escândalos e ter os nomes aproximados de acontecimentos lamentáveis.

Crise de identidade (do lixo ao luxo em pouco tempo), imensas quantias financeiras (“tenho, logo, posso!”), inexistência de limites (sociais e comportamentais) e manutenção de elos de infância marcados por relacionamentos com indivíduos suspeitos que pouco – ou nada – contribuem para o aprimoramento social e afetivo são as principais causas do encurtamento do espaço entre as páginas policiais e esportivas.

Está na hora de falarmos sobre prevenção e promoção de saúde nos clubes de uma forma mais séria e menos superficial.  Afinal, com tanto capital despejado para pagar o salários destes meninos, parte deste dinheiro deveria ser utilizado para garantir o mínimo de dignidade e garantia de bons exemplos que estas figuras públicas prestam – ou deveriam prestar.

Corpos de aço em bases de barro retratam o imperialismo do corpo em uma sociedade cada vez mais carente de alma e respeito.