Corinthians e a eliminação anunciada
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 06 de Maio de 2010

 


Em 17 de setembro de 2009, este colunista publicou um texto intitulado “atenção corintianos: alerta psicológico e emocional para a Libertadores”. Naquela ocasião, comentei sobre a necessidade de se realizar um trabalho psicológico a médio prazo para a casa não cair neste que era o grande sonho de consumo da torcida no ano do centenário do Corinthians.

A da direção do clube, mais uma vez, não priorizou este treinamento e a equipe naufragou na falta de energia e equilíbrio para manter o bom rendimento ao longo dos 90 minutos diante do turbulento e tumultuado Flamengo que, no segundo tempo, simplesmente parou a equipe paulista.

Amigos, desejo, motivação, obsessão e todo acúmulo de energia interna, se não trabalhados adequadamente, certamente deixarão seqüelas físicas e psicológicas no time. Alguém, por acaso, viu o Danilo ter câimbra durante o  Paulistão aos 20 minutos do segundo tempo? A ansiedade (grande vilã nas últimas eliminações do clube neste torneio) tem feito várias vítimas no plantel nos últimos anos. Ela afeta os reflexos, pensamentos, habilidades motoras e, de quebra, gera a temida fadiga muscular antes, bem antes do previsto.

Infelizmente a cultura do futebol brasileiro ainda não é capaz de reconhecer e valorizar o trabalho sério e científico de psicólogos do esporte. O que constatamos comumente é a presença de netas e familiares de presidentes de clubes dando palestras motivacionais sem nexo nem conexão com as necessidades dos grupos de jogadores. É aquela coisa vazia da auto-ajuda que mais "auto-atrapalha". Contratam-se engenheiros, administradores, economistas, oceanógrafos e tantos outros profissionais que lidam com a motivação de forma banal e pouco eficaz. Com raríssimas exceções neste país, a psicologia do esporte é um tabu para treinadores e dirigentes. Quem paga a conta? A torcida e os atletas, reféns da curta visão de ser humano e da preparação atlético-desportiva dos jogadores de futebol.

O Corinthians pagou, novamente, pelo descaso na preparação psicológica. O bom aluno é aquele que aprende com as lições. Do contrário, será aquele repetente que não tem mais coragem de levar o boletim em casa para os pais assinarem. Enquanto a equipe de Parque São Jorge não se der conta que sem preparação emocional e psicológica, de nada adiantará contratar jogadores de peso (literalmente), a torcida corintiana amargará noites de tristeza e agonia no Pacaembu.

Será que é tão difícil assim de perceber?