Armando Nogueira: poeta vira poesia e deixa saudades!
Escrito por João Ricardo Cozac   
Seg, 29 de Março de 2010

 


Partiu, hoje, Armando Nogueira. É quase impossível encontrar alguém ligado ao meio esportivo que não tenha ao menos um episódio para contar sobre esta figura inesquecível, inspirada (e inspiradora), generosa e iluminada.

No início de minha carreira como psicólogo do esporte, enviei uma carta ao programa de rádio comandado por ele para comentar a reação de um atleta em jogo ocorrido na noite anterior. Jamais imaginei que minha mensagem pudesse ser lida com tanta atenção e pessoalidade. Armando completou a leitura da carta dizendo: “João, se eu tivesse um time de futebol, você seria o psicólogo”.

Pois bem, amigos, este fato ocorreu há 16 anos e até hoje me recordo com carinho deste elogio que jamais será esquecido. Até porque, 10 anos depois, encontrei Armando num evento esportivo em São Paulo e pude, então, dar um abraço e agradecê-lo pelo momento especial que me proporcionou.Ele abriu aquele sorriso largo e por ali conversamos por mais alguns minutos.

Minha singela homenagem a este poeta da bola e de todos os campos e corações esportivos:
 

Vai Armando, siga seu caminho de alegria e luz em paz,
Uma legião de atletas, poetas, autores, escritores que tanta saudade nos deixou,
Agora te abraça calorosamente,
Num instante sem tempo,
O tempo dos maduros que agora se recolhe e curva diante de sua ternura.

Vai Armando, nós, daqui, te escutaremos a cada emoção e beleza sutil,
A cada jogada travessa, arteira e especial,
Sentiremos sua presença no campo dos sonhos,
Espaço que você conhece tão bem e nos ensinou, com tanta sabedoria, a reconhecer.

Vai Armando, guerreiro, professor, mestre das palavras,
Amante da beleza, companheiro da amizade,
Os astros te esperam e os craques te recebem,
Viva esta alegria ao lado de sua criação,
Saudades, você sempre nos deixou e deixará.

Obrigado por pintar o nosso esporte com tanta vida, paixão e dedicação,
Obrigado pelas lições e pureza de suas mensagens,
O país sentirá uma nostalgia gostosa,
Daquelas difíceis de explicar,
E tão fáceis de sentir.

Vai, Armando, sabemos que a vida é assim,
Siga em paz e tranqüilidade seu caminho sempre de tanta fé,
Um dia, uma noite, num momento,
Todo grande poeta vira poesia.