Muricy fala outro idioma
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 18 de Fevereiro de 2010

 

Muricy fala outro idioma

Amigos, o futebol é implacável: se os resultados não aparecem, é sempre mais fácil demitir o treinador do que fazer uma limpeza no plantel e/ou na direção do clube. Confesso que, desde sua chegada no Palmeiras, não coloquei muita fé nesta parceria entre clube e treinador. E os motivos não são poucos – desde sua familiaridade, história, associação e paixão confessa pelo rival São Paulo até o momento profissional (inspiração, criatividade e harmonia) pouco propício para grandes e novos desafios. A sensação que tive, após sua demissão do tricolor paulista, foi a de que o técnico precisava de um tempo para descansar e se reciclar. A proposta alviverde falou mais alto e Muricy acabou sacrificado por conta de vários outros aspectos que necessitam de reformas emergentes no Palestra Itália. No final das contas, o balanço financeiro foi bastante positivo já que irá receber a bagatela de 250 mil mensais até dezembro de 2010.
Nada mal, certo?

O time está desmotivado

A goleada sofrida para o Azulão foi apenas a ponta do iceberg apático e inoperante da equipe palmeirense. O time não conversa dentro de campo, aparenta um profundo desânimo e os jogadores parecem atônitos diante desta maré de passividade e inexistência de uma força de reação que seja capaz de mudar esta realidade. Nem mesmo o capitão Marcos - fervoroso torcedor, funcionário e amante do clube - consegue explicar o que se passa com a equipe.

Muricy era o “psicólogo” do time (?!)

Algumas semanas atrás, Muricy solicitou o desligamento da psicóloga do clube. Comentou que ele mesmo gostaria de realizar o trabalho mental e emocional com seus atletas através de conversas no vestiário e a portas fechadas.

Pelo visto, qualquer pessoa, hoje em dia, pode ser “psicólogo”. Basta colocar uma dúzia de pessoas num espaço, fechar a porta e conversar. Acho que vou jogar meu diploma fora. Afinal, para que serviram os cinco anos de graduação na área e os demais cursos de especialização? A coisa é bem mais simples e banal do que aparenta.

Milhões de reais queimados

O Palmeiras investiu milhões de reais em Muricy e não obteve nenhum retorno. O treinador não conseguiu fazer com que a equipe conquistasse o mínimo: uma vaga na Libertadores de América. De quebra, na reta final do Brasileirão passado, o Palmeiras estava com a mão na taça. No final, juntou a outra mão e bateu palmas para os que conquistaram a tão almejada vaga no torneio sul americano.

Trabalho psicológico é coisa séria, diretoria!

O folclórico treinador Joel Santana – que, por sua formação, tinha tudo para ser mais um treinador desinformado e contra o trabalho psicológico - respondeu, ao ser indagado se o Botafogo já tinha sua cara: “O Botafogo tem a cara dos seus atletas, do médico, da psicóloga, do preparador físico e agora também a minha”.

Muricy, abaixa um pouco sua bola e procure demonstrar mais humildade. Afinal, você que é tão favorável à modernidade no futebol, precisa, em caráter de urgência, se atualizar para não fazer nem dizer tanta bobagem.

No lado administrativo, Toninho Cecílio tomou as dores de Muricy e pediu demissão. Belluzzo, Savério e Cipullo: pensem o Palmeiras com mais razão, objetividade e praticidade.
O velho “bom e barato” – quase sempre, sai bem caro!

Última atualização ( Qui, 18 de Fevereiro de 2010 )