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| Dagoberto: divã ou dinheiro? |
| Escrito por João Ricardo Cozac | ||
| Ter, 19 de Janeiro de 2010 | ||
E não é que mal começou 2010 e Dagoberto já foi expulso? Os dirigentes tricolores estão de orelha em pé com o jogador que, ano passado, já prejudicou a equipe do Morumbi na reta final do Brasileirão. Este caso, sem dúvida, merece algumas reflexões. Educação futebolística Os dirigentes do São Paulo cortaram em dez por cento o salário de Dagoberto. Ora, amigos, descontar dez por cento de um valor astronômico e que poucos executivos de altíssimo padrão recebem no país me parece uma medida paliativa e nada construtiva. Alguém acha que, antes dele dar o próximo pontapé e ser expulso novamente, vai pensar: “preciso me controlar senão vou perder dez por cento do meu salário”. Está tudo errado. Se os dirigentes querem mexer no bolso do atleta, é bom ter muito cuidado para não desequilibrar o lado motivacional do atacante. Dinheiro é um fator higiênico na escala de motivação do ser humano. A presença não necessariamente motiva. A ausência (desde que seja significativa) certamente gerará desmotivação. Do contrário, como gosta de dizer o cartola cruzeirense Zezé Perrella: “tudo como antes, no reino de Abrantes” Trabalho psicológico Em vez de o clube embolsar estes dez por centro da multa imposta ao atleta, creio que investi-lo em um processo terapêutico, de aconselhamento e orientação psicológico seria muito mais produtivo e consistente no auxílio ao equilíbrio da energia de ativação do atleta que é alta por natureza. Punir colocando a mão no bolso do jogador é coisa do passado e já está provado que sua efetividade é discutível. Ricardo Gomes é um treinador centrado "Não basta só pagar uma multa. Ele tem que ter o controle. Nosso interesse não é a punição, e sim a evolução do atleta para nos ajudar. Vou decidir o lado esportivo, e a parte financeira teve a resposta do clube, porque aconteceram dois casos próximos. Queremos que ele evolua, pois é um excelente jogador". Concordo com as palavras do técnico e enfatizo que esta evolução deve ser realizada por um(a) profissional da área e não pelo Dr. Marco Aurélio Cunha – que adora vestir o “jaleco psicológico” - ou algum outro responsável pela área médica do clube. O São Paulo carece de tranqüilidade e frieza O ano passado trouxe lições contundentes ao elenco. O São Paulo está sem o domínio das emoções. Falhou nos momentos críticos e alguns atletas estão visivelmente fora do padrão de desempenho esperado. A maioria deles, por conta de indisciplina e falta de tranqüilidade. A ansiedade está a mil por hora e, se nada for feito para mudar este quadro, 2010 promete ser apenas mais um ano de disputas, porém, novamente, sem favoritismo para a conquista dos grandes títulos. |

