Palmeiras, desequilibrado, sai da disputa pelo título
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 19 de Novembro de 2009

  

 
O Palmeiras saiu de vez da disputa pelo título brasileiro de 2009 após perder para o Grêmio por 2 a 0 no estádio Olímpico. Após abrir cinco pontos (com a chance de oito) durante o último terço do torneio, a equipe de Palestra Itália mostrou total desequilíbrio psicológico e emocional na reta final, ao conseguir um rendimento abaixo de 15% dos pontos disputados.
 

Emocional é de cima para baixo, sim senhor!
O presidente Belluzzo, severamente punido pelo STJD, ficará afastado do comando do futebol por 9 meses. O que os atletas sentiram após as lamentáveis e intempestivas declarações do mandatário maior do clube contra o árbitro Simon? Certamente o contágio foi instantâneo. O resultado: jogadores desnivelados motivacional e emocionalmente. A equipe passou a ser um bando de atletas perdidos em campo e, com isso, perdeu uma chance de ouro para levantar o Brasileirão depois de tantos anos de espera.
 

Muricy não é psicólogo!
O treinador do Palmeiras declarou que não seria necessária a contratação de um psicólogo, já que ele próprio conversaria com os atletas. Aliás, amigos, não precisa ser um estudioso da mente e das emoções humanas para perceber que o elenco do Palmeiras atravessou uma estupenda crise de autoestima e falta de segurança e concentração. Os níveis de ansiedade dos atletas atingiram patamares incontroláveis. Chamar um “motivador de plantão” também de nada adiantaria. A questão, ali, é que faltou (novamente) um trabalho mental de base – iniciado na pré-temporada. Depois, não adianta reclamar: quando as emoções calçam as chuteiras, a bola e o coração do torcedor sofrem uma barbaridade!
 

Obina e Maurício expulsos do clube
No intervalo da partida, Obina e Mauricio trocaram socos e foram expulsos. O Palmeiras ficou com nove jogadores em campo e, claro, entregue no jogo. Pior foi ouvir as explicações dos atletas que tentaram se defender: “às vezes isso pode acontecer quando se quer muito vencer”. Que conceito de vitória é esta – em que se é expulso e deixa seus companheiros órfãos no gramado? A diretoria agiu rápido e rescindiu o contrato dos brigões. Para ser sincero, nunca coloquei fé no Obina vestindo o uniforme palmeirense. Jogar na Europa tem sido o grande sonho destes meninos.

O Palmeiras não soube liderar
A grande verdade é que o elenco alviverde não apresentou estrutura emocional para conseguir manter a liderança do campeonato. Não adianta contratar craques, treinadores, trocar presidente nem diretores de futebol. Enquanto não se encarar a questão psicológica com mais dignidade, respeito e responsabilidade, cabeças ingênuas continuarão rolando.

Diego Souza: efeito Seleção
Diego Souza teria sido mais uma vítima da Seleção Brasileira? Não. O fato é que, após sua convocação, o meia-atacante do Palmeiras jamais voltou a apresentar o bom futebol que o credenciou a vestir a amarelinha. Somado a isso, vale frisar que a saída de Cleiton Xavier do time mudou a forma tática de Diegou Souza atuar. Diego teve de voltar mais para armar as jogadas quando, de fato, o atleta tem mais características de atacante.

Fluminense heróico
O Flu está na final da Copa Sul-Americana. Com todos os méritos, o time de Cuca deverá se safar da degola no Brasileirão e, de quebra, levantar o título continental. A equipe está unida, aguerrida e, ao lado de sua torcida, poderá reparar a derrota da Libertadores e presentear a torcida que tanto tem comparecido e ajudado.

Notas tristes da semana
O comportamento dos selvagens paraguaios merece destaque negativo. Na primeira partida, em Assunção, a torcida do Cerro jogou pedras e paus nos brasileiros. No Maracanã, após o apito final, alguns jogadores partiram covardemente para cima de gandulas, jogadores tricolores e profissionais da comissão técnica do Flu. Coisa de time pequeno. Dois jogadores do Cerro foram presos e provarão as delícias de uma noite na prisão carioca.

Por fim, a França de Henry se classificou com um gol de mão na prorrogação contra a Irlanda. Que triste para o futebol. Que sorte dos franceses!
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