Blecaute palmeirense tem explicação
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 12 de Novembro de 2009

  

 
Amigos, o empate do Palmeiras diante do já rebaixado Sport de Recife foi apenas mais um capítulo de uma saga marcada pelo despreparo psicológico, falta de comprometimento de alguns atletas e ausência de alma do treinador. No primeiro tempo, o time do Palmeiras ainda vivia o apagão que tomou metade do país na noite anterior. Na etapa complementar, o Sport cansou - como o time que mais viradas tomou ao longo do torneio – a péssima preparação física contribuiu (e muito) para o rebaixamento da equipe pernambucana. No gol de empate palmeirense, o árbitro havia, de forma equivocada, apitado um impedimento inexistente. A zaga e goleiro pararam e Danilo empatou. A cúpula do Palestra já se pronunciou: “não temos nada a ver com isso”. Claro, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Afinal, após o erro de Simon na partida do Maracanã, os dirigentes do Palestra ainda estão revoltados. Não seria o caso de se revoltar com o baixo desempenho do grupo de atletas que não conseguiu vencer o Fluminense, Avaí, Santo André, Sport e Náutico? O título, pelo visto, ficou mais distante.

Muricy não está à vontade com o uniforme verde

É nítido e notório: Muricy está com dificuldades de se adaptar ao verde palestrino. O treinador não demonstra a mesma pegada da época em que dirigiu o Inter e depois o São Paulo. Aquele comportamento de bater no próprio braço, pedir garra e quase invadir o campo para jogar com os atletas ainda não apareceu.

Nilson Cesar, narrador titular da Jovem Pan, fez uma analogia interessante após o jogo diante do time pernambucano: Muricy parece aquele cachorro que está habituado a morar por muitos anos em um quintal e, de uma hora para outra, se vê em um lugar estranho, longe de suas referências, com pessoas diferentes e pouco presente nas atitudes e iniciativas.

Na coletiva, o treinador do Palmeiras estava visivelmente cansado. Sua voz denunciava o desânimo e a imensa distância daquele Muricy a que todos nos acostumamos ouvir após as grandes batalhas. Onde você está, Muricy?

Marcos denuncia baladas de jogadores mais jovens

Ele pode falar o que quiser. Com 20 anos de casa e uma profunda gratidão e paixão pelo clube, Marcos não aceita o comportamento adolescente de alguns jogadores que estão indo em baladas para pegar as menininhas. O comandante alviverde reconhece que muitos, ali, poderiam ter um melhor rendimento físico. O saudoso Telê Santana sempre dizia que “o corpo do atleta é  seu ganha pão”. Pelo visto, tem gente que pensa que é o “ganha carne”.

Marcos está vivendo seus últimos anos de Palmeiras e não quer ter o desgosto de perder o título mais ganho de sua carreira. É preciso que mais gente, lá dentro, compre esta idéia.

Ansiedade e falta de concentração

Amigos, ansiedade e concentração são inversamente proporcionais. A questão é pura matemática. O time do Palmeiras está visivelmente ansioso, errando passes bobos e totalmente fora de foco dentro de campo. Além da falta que alguns atletas estão fazendo ao plantel (casos de Cleiton Xavier e Pierre na sua melhor fase), mente e emoções estão maltratando o Verdão. Deixar este tipo de demanda para o Muricy cuidar é o mesmo que pedir a um arquiteto para operar uma criança recém-nascida. O resultado não é nada promissor!

Influências do presidente

A lógica da pirâmide organizacional é indiscutível: quando o faraó se descontrola, seus súditos ficam à deriva. O que esperar de um grupo de atletas e profissionais (comissão técnica e demais dirigentes) quando o patrão vem a público xingar um árbitro e ameaçá-lo fisicamente? Os níveis de ativação do grupo se elevam e a parte pensante deixa de existir. Os últimos resultados falam por si só. O Palmeiras conseguiu a proeza de conquistar apenas um ponto nos jogos contra os quatro times que estão na zona do rebaixamento. Ser campeão assim, só com muita reza!