Santos à deriva, Luxa joga a toalha e Teixeira deve sair
Escrito por João Ricardo Cozac   
Seg, 26 de Outubro de 2009

  


Amigos, há relacionamentos na nossa vida que repousam em encruzilhadas - ou renascem, ou morrem. No alvinegro praiano, duas relações me parecem esgotadas e irremediavelmente finalizadas: Luxemburgo e Marcelo Teixeira no comando técnico e administrativo respectivamente.

O treinador santista jogou a toalha após prometer que seu time quebraria o São Paulo e terminou derrotado após levar quatro gols da equipe paulista em plena Vila Belmiro. Luxemburgo deve se mudar para Porto Alegre em 2010, onde dirigirá o Inter. A família, no entanto, provavelmente seguirá para Tocantins (domicílio eleitoral escolhido por ele para se tornar Senador da República). Sua cabeça está a mil léguas de distância do clube. Aliás, o Santos necessita passar por uma transformação profunda em suas bases. Doze jogadores finalizam o contrato no final do ano e, boa parte deles, está atuando apenas de corpo presente - a alma já se mandou faz tempo! O treinador não ficará no comando e haverá eleição para presidente. As chances de uma mudança profunda estão aí. A cúpula santista precisa se organizar para não desperdiçá-la.

Nos lados da presidência, passou da hora de Marcelo Teixeira pendurar as chuteiras. Teixeira fez muito pelo Santos, clube do coração. No entanto, sua administração não tem trazido os resultados esperados. A última tentativa (em vão) de resgatar uma possibilidade maior de continuar à frente do clube foi a contratação de Luxemburgo (também em vão). Não resta alternativa senão entregar o comando e continuar torcendo pelo time. O candidato da oposição, Luiz Álvaro Ribeiro chega com uma nova e mais moderna proposta de administração. O clube e a equipe carecem de novos ares. As categorias de base devem ser revistas e um planejamento sério com cabeças novas pensando em um Santos moderno e arrojado poderá surgir num horizonte próximo.

O Santos é, hoje, um clube com vícios administrativos e com um modelo de presidência autocrático ultrapassado e pouco eficaz. Marcio Braga, Eurico Miranda e tantos outros presidentes que ficaram mais de uma década à frente de seus clubes já jogaram a toalha (ou sofreram derrotas nas eleições). Teixeira deverá ser o último desta turma a abandonar o barco. Por melhor que sejam suas intenções, não tem jeito: chega uma hora que a renovação é mais forte que qualquer amor ou desejo de continuar presidindo a agremiação. O ciclo termina e é preciso ter humildade para reconhecer.

O mesmo vale para Luxemburgo. O treinador não demonstra mais aquele desejo de estar ali à beira do gramado. Ganhar ou perder não altera mais seu semblante. Luxa devia seguir os passos de Felipão e tirar umas férias de seis meses para pensar na vida. Assumir o Inter, neste espírito de preencher o banco, não o levará a lugar algum. Aliás, encurtará sua distância para o Tocantins. O treinador está desgastado no cenário futebolístico. "Criar um projeto, timing da jogada, feeling do atleta" e tantas outras frases de efeito se tornaram um chute de bico daqueles em que a bola vai para a arquibancada.

O torcedor do Santos não tem nada a ver com isso e merece o devido respeito da direção e de todos aqueles responsáveis pelo crescimento e modernização do clube.

Última atualização ( Seg, 26 de Outubro de 2009 )