Muricy Ramalho e Ricardo Gomes no divã, já!
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 22 de Outubro de 2009

  


Amigos, confesso que há tempos não via duas equipes com demandas psicológicas e emocionais tão marcantes como as do Palmeiras e São Paulo.

O Palmeiras sentiu o peso da possibilidade real da conquista do título. É isso mesmo: há grupos de atletas que têm medo da vitória - muito comum hoje em dia. Já, outros, se afinam quando o assunto é o iminente fracasso.

O time de Palestra Itália está visivelmente nervoso e abalado dentro de campo. Erra passes fáceis, cruzamentos, chutes a gol e os atletas não conversam durante as partidas. Aliás, nem o próprio Muricy tem gritado, como de costume, à beira do gramado. O curioso é que a maioria dos comentaristas e narradores vive dizendo que "o problema do Verdão é emocional". Será que falam para surdos?

Na parte técnica, Muricy tem reproduzido no Palmeiras a fórmula que gerou os péssimos resultados no final de seu ciclo no São Paulo: cruzamentos, futebol defensivo, desorganizado e equipe cada vez mais insegura e desequilibrada motivacional e emocionalmente dentro de campo.

O Palmeiras tem (ou tinha) a faca, o queijo e a fome para vencer o campeonato. Agora correrá atrás dos pontos perdidos (praticamente doados) nas últimas quatro partidas (empate com Avaí e derrotas para Flamengo, Náutico e Santo André). Quem diria!

Presidente Beluzzo, o senhor é uma pessoa esclarecida. Tomar gol de churrasco, como no jogo contra o Flamengo, é uma coisa. Virar o próprio churrasco, é outra!

Já no São Paulo, Ricardo Gomes parece ter perdido a bússola da equipe. Os humores do time do Morumbi dependem das vitórias ou derrotas do rival Palmeiras. Quando a equipe de Muricy vence, o São Paulo fala em vaga na Libertadores. Quando perde, os jogadores se inflam de coragem e voltam a falar em título (até a derrota no jogo seguinte).

Afinal, onde está a identidade do São Paulo? O pessoal tem brincado que o time virou 'borderline' - aquela linha que divide a realidade do mundo da fantasia, pelo que entendo, é o próprio muro que divide os dois centros de treinamento na Barra Funda.

Divã para todo mundo. Olodum pirou de vez. O São Paulo e Palmeiras, também!