Atenção corintianos: alerta mental e emocional para a Libertadores
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 17 de Setembro de 2009

  


A equipe do Corinthians já tem experiência de sobra para aprender com os erros do passado. A frustração das eliminações nas últimas edições da Libertadores pelo clube disputadas ainda soam vivas na lembrança da Fiel torcida.

Os elencos eram formados por jogadores capazes técnica e fisicamente. No entanto, a pressão pela conquista do campeonato acabou sendo o adversário principal da equipe. Mente e emoções derrubaram o Timão naqueles anos.

Em 2010, ano do Centenário do clube, a pressão tende a ser mais forte. Afinal, o Corinthians é o único dos grandes times paulistas que ainda não conquistou o torneio. A torcida, sem dúvida, apoiará o elenco e a comissão técnica. No entanto, vale ressaltar que a expectativa e exigência da nação corintiana são maiores e mais intensas do que podem supor os governantes de Parque São Jorge.

Acompanho a contratação de astros, preparadores físicos, investimentos na infra-estrutura do clube mas, até agora, não li nada sobre a necessidade de se desenvolver um trabalho psicológico de prevenção e suporte mental, motivacional e emocional com o grupo de jogadores. Gasta-se uma fortuna com atletas que, em sua maioria, não apresentam um bom preparo psicológico. Este pequeno detalhe, no entanto, pode ser (como tem sido) o principal algoz do alvinegro de Parque São Jorge no torneio sul-americano.

Infelizmentre a cultura do futebol brasileiro ainda não é capaz de reconhecer e valorizar o trabalho sério e científico de psicólogos do esporte. O que constatamos comumente é a presença de netas e familiares de presidentes de clubes dando palestras motivacionais sem nexo nem conexão com as necessidades dos grupos de jogadores. É aquela coisa vazia da auto-ajuda que mais "auto-atrapalha". Contratam-se engenheiros, administradores, economistas, oceanógrafos e tantos outros profissionais que lidam com a motivação de forma banal e pouco eficaz. Com raríssimas exceções neste país, a psicologia do esporte é um tabu para treinadores e dirigentes. Quem paga a conta? A torcida e os atletas, reféns da curta visão de ser humano e da preparação atlético-desportiva dos jogadores de futebol.

A pressão, amigos corintianos, virá com força total em 2010. O Mano Menezes tem o time nas mãos. Não há dúvida, mas o trabalho psicológico não pode (nem deve) ser tarefa de técnicos de futebol. Afinal, como muito bem citou o saudoso jornalista e dramaturgo, Nelson Rodrigues: “Mas, afinal, o que entende de alma, um treinador de futebol”, certo Geninho?

Olho aberto, pessoal! Depois não adianta derrubar alambrados nem invadir o campo de jogo.
A hora é agora!
Última atualização ( Qui, 17 de Setembro de 2009 )