Inter e motivador naufragam de mãos dadas
Escrito por João Ricardo Cozac   
Qui, 02 de Julho de 2009

  

 

Amigos, dizer que o Corinthians é, hoje, o melhor time do país me parece redundância. Até porque, todos os principais críticos esportivos colocam o Timão no topo do ranking brasileiro. Afinal, conquistar três títulos (Brasileiro série B, Paulistão e Copa do Brasil) em sete meses não é tarefa das mais fáceis. A equipe de Parque São Jorge saiu das trevas da segundona para a disputa da Libertadores em 2010, ano da comemoração do centenário do clube. Seria uma enorme injustiça atribuir esta ascensão apenas a um ou outro atleta. As recentes conquistas tem a marca de cada jogador e, claro, do treinador Mano Menezes. Neste último título, em especial, algumas considerações merecem ser realizadas.

Inter trabalha com engenheiro motivador e não com psicólogo

Os amigos leitores sabem de minha luta pela moralização do espaço do psicólogo no esporte. Nestes dezoito anos de guerra contra a ignorância de treinadores e dirigentes, confesso que já vi de tudo. De quem é a culpa? De psicólogos que não são formados adequadamente para trabalhar no meio esportivo – desde aquela neta do presidente que acabou de se formar em Psicologia e o vovô a coloca para trabalhar com vinte e dois marmanjos no profissional da equipe enfiando a guria goela abaixo do técnico - até profissionais de outras áreas invadindo esta verdadeira "terra de ninguém" designada por "psicologia desportiva".
No caso do Colorado, o engenheiro motivador é contratado como o psicólogo da equipe. Deu no que deu. O time do Inter, visivelmente descontrolado em sua ativação mental e emocional, ruiu diante de um Corinthians frio, excelente tecnicamente e muito bem equilibrado tática e emocionalmente. Mais uma aula do treinador Mano Menezes.

As questões relacionadas com a motivação de grupos esportivos são sumariamente banalizadas pelos governantes do mundo da bola. Na cabeça desta gente, basta uma palestra falando do Ayrton Senna, da Madre Tereza ou passar o filme “Os dois filhos de Francisco” para todo mundo chorar e entrar voando no gramado. Lamentável. Nota zero para os dirigentes do Inter e para o técnico Tite, acostumado a trabalhar com pessoas muito bem qualificadas na área da Psicologia Esportiva.

D’Alessandro estava no 880 volts

O argentino entrou plugado na energia de ativação máxima dentro de campo. Vocês viram como foi fácil “tirá-lo” do jogo? Bastou chegar na orelha do hermano e chamá-lo de “argentino”. Pronto. Cartão vermelho e chuveiro mais cedo. Além dele, vários outros atletas da equipe gaúcha estavam distantes do equilíbrio psicológico e emocional fundamental para que um time que vinha de uma situação extremamente adversa, pudesse ter a calma e tranqüilidade para virar o jogo. O que foi aquela cena do Magrão, com os punhos em riste chamando o sorridente e já expulso Elias para a briga? Cena bizarra e desnecessária, caro Magrão. Você não precisa provar nada para ninguém.


Outra coisa: aquele DVD exibido na concentração do Inter com os possíveis erros de arbitragem no passado que favoreceram a equipe paulista só deram mais pilha aos jogadores colorados que, dentro de campo, não conseguiram se comunicar, acertar passes de dois metros e pior: tremeram diante de sua torcida, naufragados no descontrole psicológico patrocinados pelos dirigentes e por pessoas que não deveriam trabalhar no futebol.


O próprio Corinthians já experimentou deste veneno quando foi eliminado da Libertadores pelo River sob o comando do técnico Geninho. Na época, convocaram um destes motivadores de plantão para colocar mais pilha nos já nervosos jogadores do clube e o desfecho daquela eliminação ainda é viva na lembrança de todos.

Radio Gaúcha

No intervalo da partida, sintonizei a Rádio Gaúcha para ouvir os comentários locais. Torcedores se mostraram indignados diante da passividade que vinha das arquibancadas do Beira-Rio depois dos dois gols corintianos. Ali o jogo já tinha terminado e apenas quarenta e cinco minutos separavam a concretização desta meta do clube paulista.


O Timão voltou

Muitos amigos leitores corintianos contestaram este colunista quando, na época do rebaixamento, comentei que o time voltaria muito mais forte e estruturado para a elite do futebol brasileiro. A faxina administrativa e organizacional do clube, contratação de bons jogadores e um excelente treinador trouxeram a resposta. O Corinthians brigará pelo título de campeão brasileiro e, se mantiver uma base semelhante em 2010, poderá festejar o centenário com o título inédito da Libertadores.

 

Última atualização ( Qui, 02 de Julho de 2009 )