A criação da empresa C.E.P.P.E. (Consultoria, Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte) se deu em 1994, quando iniciei os primeiros passos nesta promissora e encantadora área de atuação psicológica.

Na época, livros em português sobre o tema eram raros (para não dizer, inexistentes). A solução foi recorrer, em sua maioria, às publicações cubanas e norte-americanas que muito me auxiliaram na compreensão dos fundamentos principais da Psicologia Esportiva.

Os dois profissionais que muito me estimularam no início da carreira foram o Dr. Benno Becker Jr, hoje presidente de honra da Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte e o Prof. Odair Furtado que, no início de 1994, quando pouco (ou quase nada) se falava sobre o tema, acolheu minha proposta de orientação para o primeiro trabalho de conclusão de curso em Psicologia do Esporte na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Pessoas maravilhosas surgiram nesta viagem. O amigo e brilhante profissional, Paulo Ribeiro, psicólogo do futebol profissional do Clube de Regatas do Flamengo e Maria Helena Rodriguez, psicóloga do Vasco da Gama, têm todo o meu respeito e admiração pelo arrojo e empreendimento na luta pela valorização e dignidade nos estudos, atuações e pesquisas da Psicologia do Esporte no país.

A partir de 1996, os primeiros grupos de estudos foram criados na clínica C.E.P.P.E. e por mim orientados. Hoje contamos com diversas turmas em curso e um material moderno e atualizado sobre a área.

A trajetória destes quase 15 anos foi bastante difícil. Não há como negar. No entanto, experiências enriquecedoras como as que tive nas equipes de futebol do Cruzeiro, Goiás, Palmeiras, equipes de ginástica rítmica, tenistas, judocas, nadadores e até pára-quedistas foram fundamentais para meu crescimento profissional.

Os dois livros publicados: “Com a cabeça na ponta da chuteira” e “Psicologia do Esporte: clínica, alta performance e atividade física” (ambos editados pela Annablume editora) são o resultado das reflexões práticas e teóricas destes anos de dedicação.

Apesar de todas as dificuldades no reconhecimento desta área por parte de alguns treinadores, atletas e dirigentes, a Psicologia Esportiva é uma ciência emergente e com o campo de atuação cada vez mais fértil. O Brasil é carente de pesquisas e atuações sérias realizadas por profissionais bem capacitados e com conhecimento sobre os efeitos da mente e das emoções no rendimento individual e coletivo dos atletas.

A Associação Paulista de Psicologia do Esporte foi por mim criada no ano de 2007 com o apoio de todos os alunos e ex-alunos que se formaram no curso da clínica C.E.P.P.E. ao longo dos últimos 12 anos.

Muitos trabalhos, cursos e congressos virão por aí. Contamos com a participação de todos para o desenvolvimento de uma ciência bem estruturada, dentro de intervenções éticas e fundamentadas na experiência de colegas que há tempos se dedicam nesta magnífica e especial viagem através da análise e atuação nos campos, quadras, piscinas e ginásios do país.

João Ricardo Cozac